Confinamento ou pastejo: qual sistema é mais vantajoso para bovinos de corte? A resposta depende menos de uma preferência técnica e mais da combinação entre terra, alimento, capital, estrutura, equipe, categoria animal e mercado.
Em geral, o confinamento acelera a terminação, aumenta o controle sobre a dieta e libera áreas de pastagem. Entretanto, ele concentra custos em um período curto e torna o resultado muito sensível ao preço dos animais, dos alimentos e da arroba vendida.
Por outro lado, o pastejo utiliza a forragem produzida na própria área e pode exigir menor desembolso diário. Ainda assim, um sistema a pasto mal manejado pode alongar o ciclo, reduzir o ganho por hectare e transformar uma dieta aparentemente barata em arrobas produzidas lentamente.
Portanto, a comparação não deve perguntar apenas qual sistema produz mais. Antes disso, é necessário definir qual alternativa entrega melhor margem por animal, por hectare, por dia e por real investido dentro da realidade da propriedade.
O que significa ser mais vantajoso?
Um sistema pode apresentar maior ganho de peso diário e, ao mesmo tempo, gerar menor retorno sobre o capital. Da mesma forma, outra estratégia pode ter custo diário mais baixo, porém manter o animal por tempo excessivo e ocupar uma área que poderia produzir mais.
Por isso, a vantagem precisa ser medida com mais de um indicador. A margem por cabeça mostra o resultado individual. Já a margem por hectare revela como a terra foi utilizada. Além disso, a margem por dia ajuda a avaliar o giro, enquanto o retorno sobre o capital mostra se o dinheiro imobilizado foi adequadamente remunerado.
| Indicador | O que revela | Por que deve ser acompanhado |
|---|---|---|
| Margem por animal | Resultado obtido em cada cabeça terminada. | Permite comparar lotes, dietas e categorias. |
| Margem por hectare | Resultado gerado pela área utilizada. | Mostra a eficiência econômica da terra. |
| Margem por dia | Resultado em relação ao tempo de permanência. | Ajuda a avaliar velocidade e giro. |
| Custo da arroba produzida | Quanto foi gasto para acrescentar peso de carcaça. | Relaciona desempenho e custo do ganho. |
| Retorno sobre o capital | Remuneração do dinheiro imobilizado. | Permite comparar o sistema com outras alternativas. |
| Risco de resultado | Sensibilidade a preços, clima e falhas operacionais. | Evita escolher uma estratégia que o caixa não suporta. |
Como funciona a terminação a pasto?
Na terminação a pasto, a forragem é a base da alimentação. Conforme o objetivo, o sistema pode utilizar apenas suplemento mineral, suplementação proteica, suplemento proteico-energético ou níveis mais elevados de concentrado.
Além disso, o pastejo pode variar desde uma condução extensiva, com baixa lotação e controle limitado da forragem, até modelos intensificados com correção do solo, adubação, divisão de piquetes, ajuste frequente de lotação e suplementação estratégica.
Consequentemente, falar em “boi a pasto” não descreve um único sistema. Duas fazendas podem manter os animais em pastagens, mas apresentar produtividade, custo e velocidade de terminação completamente diferentes.
Quais são as principais vantagens do pastejo?
Menor dependência de alimentos comprados
Quando a pastagem apresenta boa produção e qualidade, ela reduz a necessidade de transportar e fornecer grandes volumes de alimento no cocho. Assim, o sistema pode operar com menor desembolso diário e menor exposição direta às oscilações dos grãos.
Uso do potencial forrageiro da propriedade
Além disso, regiões com clima favorável e solos manejados adequadamente podem sustentar elevada produção de forragem. Nesse contexto, a intensificação do pastejo aumenta a lotação sem eliminar a base pastoril do sistema.
Menor exigência de estrutura concentrada
Em comparação com um confinamento completo, o pastejo normalmente exige menos instalações de alimentação, manejo de dejetos e armazenamento de dietas. Entretanto, cercas, água, corredores, cochos, sombra e manejo do solo continuam sendo investimentos necessários.
Flexibilidade na suplementação
Por fim, o nível de suplemento pode ser ajustado conforme a categoria, a época do ano, o preço dos insumos e a meta de ganho. Dessa maneira, o produtor consegue intensificar gradualmente, sem migrar imediatamente para o confinamento total.
Quais são as limitações do sistema a pasto?
A primeira limitação é a sazonalidade. Durante a seca ou em períodos de frio, a quantidade e a qualidade da forragem podem cair. Consequentemente, o ganho diminui e, em sistemas sem planejamento, pode ocorrer perda de peso.
Além disso, a oferta de pasto varia com chuva, temperatura, fertilidade do solo, espécie forrageira e intensidade de pastejo. Portanto, a dieta realmente consumida é menos controlável do que uma ração formulada e fornecida no cocho.
Outro ponto é o tempo. Quando o ganho diário é baixo, o animal permanece mais meses na fazenda. Assim, ele ocupa área, consome manutenção, acumula risco sanitário e posterga a entrada de receita.
Como funciona a terminação em confinamento?
No confinamento, os animais permanecem em instalações delimitadas e recebem a dieta no cocho. Dessa forma, o consumo, a composição da ração e a evolução do lote podem ser acompanhados com maior precisão.
Em geral, o confinamento é utilizado na fase de terminação. Entretanto, também pode integrar programas de recria intensiva, sequestro de bezerros ou estratégias que combinam diferentes fases dentro da mesma propriedade.
Nesse sistema, o desempenho depende da compra ou produção dos ingredientes, da formulação, da adaptação, da leitura de cocho, do processamento dos alimentos, da sanidade e da qualidade da operação diária.
Quais são as principais vantagens do confinamento?
Maior controle da dieta
Como os ingredientes são pesados e misturados, o nutricionista consegue formular dietas compatíveis com a meta de desempenho. Além disso, a leitura de cocho permite ajustar o fornecimento e identificar alterações de consumo.
Terminação mais rápida
Em condições adequadas, o maior aporte energético acelera o ganho e o acabamento. Consequentemente, o animal pode atingir o ponto de abate em menos tempo.
Liberação de pastagens
Ao retirar animais pesados do pasto, a fazenda reduz a pressão sobre a forragem. Assim, a área liberada pode receber categorias mais eficientes, como bezerros, novilhas ou matrizes.
Maior previsibilidade operacional
Embora o resultado econômico continue sujeito ao mercado, o desempenho físico tende a ser mais controlável. Dessa forma, torna-se mais fácil estimar consumo, dias de cocho, data provável de abate e necessidade de compra de insumos.
Quais são as limitações do confinamento?
O confinamento concentra gastos com animais, alimentos, máquinas, equipe, sanidade, combustível e estrutura. Portanto, a necessidade de capital de giro aumenta rapidamente conforme cresce o número de cabeças.
Além disso, falhas pequenas podem atingir o lote inteiro. Erros de mistura, atraso na distribuição, variação de matéria seca, aquecimento da dieta, falta de água ou manejo inadequado de adaptação podem comprometer desempenho e saúde em poucos dias.
Em contrapartida ao maior controle nutricional, surgem desafios relacionados à lama, poeira, calor, drenagem, competição no cocho, distúrbios digestivos e manejo de dejetos. Por isso, infraestrutura e rotina operacional não podem ser tratadas como detalhes.
Confinamento ou pastejo: comparação direta
| Critério | Pastejo | Confinamento |
|---|---|---|
| Base alimentar | Forragem colhida diretamente pelo animal, com ou sem suplemento. | Dieta fornecida integralmente no cocho. |
| Controle da dieta | Menor, devido à variação da forragem e da seleção pelo animal. | Maior, desde que mistura, matéria seca e fornecimento sejam controlados. |
| Ganho diário esperado | Mais dependente da época, do pasto e da suplementação. | Geralmente mais elevado e previsível quando a operação é adequada. |
| Investimento inicial | Direcionado a solo, cercas, água, cochos e manejo. | Inclui currais, cochos, drenagem, máquinas, armazenamento e manejo de dejetos. |
| Capital de giro | Normalmente mais distribuído ao longo do ciclo. | Mais concentrado durante a compra e a permanência no cocho. |
| Uso da terra | Depende da lotação e da produtividade da pastagem. | Ocupa pouca área de curral e pode liberar pastagens para outras categorias. |
| Risco climático | Maior influência da chuva e da sazonalidade forrageira. | Menor dependência direta do pasto, porém maior dependência de insumos. |
| Risco de mercado | Menor concentração de desembolso, mas ciclo potencialmente mais longo. | Alta sensibilidade à relação entre reposição, dieta e preço de venda. |
| Exigência de gestão | Alta quando o pastejo é intensificado. | Muito alta e diária, especialmente na alimentação. |
Qual sistema apresenta menor custo?
Não existe uma resposta fixa. Em muitos cenários, a arroba produzida no pasto custa menos porque a forragem substitui parte dos ingredientes concentrados. Entretanto, essa vantagem desaparece quando o pasto apresenta baixa produtividade, perdas elevadas ou ganho insuficiente.
No confinamento, por sua vez, o custo diário costuma ser maior. Ainda assim, o ciclo mais curto pode reduzir despesas de manutenção e liberar o capital mais cedo.
Além disso, a comparação precisa separar o custo total do animal e o custo do peso acrescentado. O valor do boi magro não é uma arroba produzida pelo confinamento; ele é capital de entrada que precisa ser recuperado na venda.
O custo do boi magro muda a decisão?
Sim. Na terminação, a aquisição ou transferência do animal representa uma parcela relevante do capital imobilizado. Portanto, uma relação desfavorável entre o preço do boi magro e o valor esperado do boi gordo reduz a margem antes mesmo de a dieta começar.
Além disso, o peso de entrada influencia o tempo necessário para o acabamento. Animais leves podem permanecer mais dias no sistema, enquanto animais mais pesados exigem maior desembolso inicial.
Por isso, o produtor deve valorar os animais próprios pelo preço de mercado. Caso contrário, o confinamento pode parecer lucrativo apenas porque o custo da reposição ficou escondido na fase anterior.
A dieta é o ponto mais importante do confinamento?
A dieta é um dos componentes centrais, mas não atua sozinha. Uma ração barata pode produzir desempenho ruim, enquanto uma formulação tecnicamente excelente pode perder resultado por mistura inadequada, aquecimento, seleção ou fornecimento irregular.
Consequentemente, o indicador mais útil não é apenas o preço por tonelada. Também devem ser avaliados consumo, conversão alimentar, ganho médio diário, rendimento de carcaça e custo da arroba produzida.
Da mesma forma, ingredientes produzidos na fazenda precisam ser valorados. Silagem, milho, subprodutos e mão de obra possuem custo de produção e custo de oportunidade, mesmo quando não geram uma nota fiscal de compra.
| Dado | O que pode indicar |
|---|---|
| Consumo de matéria seca | Aceitação da dieta, adaptação, conforto e regularidade do fornecimento. |
| Ganho médio diário | Velocidade de crescimento e resposta ao programa alimentar. |
| Conversão alimentar | Quantidade de matéria seca necessária para produzir ganho. |
| Custo por quilo de matéria seca | Preço da dieta fornecida, sem considerar sozinho sua eficiência. |
| Custo da arroba produzida | Integra custo da dieta e resposta do animal. |
| Rendimento e acabamento | Transformação do peso vivo em carcaça comercializável. |
O pasto realmente é um alimento barato?
O pasto pode apresentar baixo custo de colheita porque o próprio animal realiza esse trabalho. Entretanto, a forragem depende de solo, corretivos, fertilizantes, sementes, cercas, água, manutenção e mão de obra.
Além disso, nem toda forragem produzida é consumida. Parte pode envelhecer, acamar ou ser rejeitada. Assim, o custo deve ser relacionado à matéria seca efetivamente colhida e ao ganho gerado.
Quando a lotação fica abaixo da capacidade da área, a fazenda dilui mal seus custos fixos. Por outro lado, lotações excessivas reduzem a oferta por animal e podem comprometer o desempenho e a persistência da pastagem.
Qual sistema produz mais por hectare?
O confinamento concentra muitos animais em uma área pequena de curral. Entretanto, a análise territorial não deve ignorar a área utilizada para produzir silagem, grãos e outros ingredientes.
Já o pastejo intensificado pode elevar significativamente a produção por hectare quando combina boa fertilidade do solo, forrageira adequada, lotação ajustada e desempenho individual.
Nesse sentido, a produtividade da terra precisa considerar o sistema completo. Além disso, o confinamento pode gerar um benefício indireto ao liberar pastagens para a recria ou para as matrizes.
Portanto, a pergunta correta não é apenas quantos animais cabem no curral. É quanto resultado econômico todo o conjunto de áreas, alimentos e categorias consegue produzir.
Qual sistema oferece maior giro de capital?
Em geral, o confinamento reduz o tempo entre a entrada do animal na terminação e a venda. Consequentemente, ele pode acelerar a receita e permitir mais ciclos dentro de determinado período.
Entretanto, o giro rápido não significa retorno alto. Caso a margem por ciclo seja pequena ou negativa, repetir a operação apenas acelera a destruição de valor.
No pastejo, o ciclo pode ser mais longo. Ainda assim, uma estratégia bem ajustada pode produzir boa remuneração com menor desembolso diário e menor exposição financeira.
Como a seca interfere na escolha?
Durante a seca, a produção e a qualidade das pastagens tropicais costumam diminuir. Dessa forma, a manutenção de animais pesados no pasto aumenta a pressão sobre a área e pode reduzir o desempenho de todo o rebanho.
Nesse contexto, o confinamento pode funcionar como ferramenta estratégica. Ao retirar a categoria de terminação, a propriedade preserva forragem para a recria e para as matrizes.
Por outro lado, essa decisão exige volumoso, ingredientes, estrutura e capital planejados antes do período crítico. Portanto, iniciar o confinamento apenas quando o pasto acabou costuma aumentar custos e reduzir opções.
Além disso, suplementação a pasto, diferimento e semiconfinamento podem atender parte da necessidade sem exigir confinamento total.
Desempenho animal: onde o confinamento leva vantagem?
O maior controle da ingestão de energia e proteína permite buscar ganhos mais elevados no confinamento. Além disso, o ambiente de alimentação pode reduzir a distância percorrida para colher forragem.
Consequentemente, o sistema tende a encurtar a fase final e facilitar o acabamento de carcaça. Ainda assim, a resposta depende do potencial do animal, do peso de entrada, da sanidade, da adaptação e da formulação.
Em contrapartida, pastagens de alta qualidade associadas à suplementação também podem produzir ganhos expressivos. Por isso, a diferença entre os sistemas não deve ser presumida sem medir o desempenho real.
Qual sistema oferece melhor qualidade de carcaça?
O confinamento facilita dietas com maior densidade energética e, dessa forma, pode acelerar a deposição de gordura. Esse controle ajuda a atingir o acabamento exigido pelo frigorífico dentro de uma janela mais previsível.
Entretanto, a qualidade da carcaça também depende de genética, sexo, idade, peso, histórico nutricional e manejo pré-abate. Portanto, o sistema alimentar não explica sozinho o rendimento ou o padrão final.
Além disso, o benefício econômico só existe quando o mercado remunera o resultado. Produzir uma carcaça mais pesada ou mais acabada sem conhecer a grade de pagamento pode elevar o custo sem gerar prêmio correspondente.
Sanidade e bem-estar mudam entre os sistemas?
Sim. No pastejo, os animais enfrentam desafios relacionados a parasitas, qualidade da água, deslocamento, clima e variação na disponibilidade de alimento.
No confinamento, por outro lado, aumentam a proximidade entre animais e a dependência da qualidade das instalações. Lama, poeira, calor, falhas de drenagem, competição de cocho e distúrbios digestivos podem comprometer o resultado.
Consequentemente, nenhum sistema é automaticamente superior em bem-estar. A resposta depende do projeto, da lotação, da água, da sombra, do piso, do manejo e da rapidez com que os problemas são corrigidos.
O semiconfinamento pode ser o meio-termo?
No semiconfinamento, os animais permanecem no pasto e recebem quantidade elevada de suplemento. Assim, a fazenda aproveita a área e, ao mesmo tempo, aumenta a densidade energética da dieta.
Essa estratégia pode reduzir o investimento em currais de confinamento. Entretanto, ela exige pasto disponível, espaço de cocho, acesso à água, adaptação e regularidade no fornecimento.
Além disso, a substituição da forragem pelo concentrado precisa ser considerada. Caso o suplemento apenas substitua o pasto que o animal consumiria, o ganho adicional pode ser menor que o esperado.
Portanto, o semiconfinamento não é uma versão improvisada do confinamento. Ele possui lógica nutricional e operacional própria.
Quando o pastejo tende a ser mais vantajoso?
O pastejo tende a ser competitivo quando a propriedade produz forragem com boa qualidade e baixo custo, possui área suficiente e consegue atravessar a sazonalidade sem longos períodos de perda de peso.
Além disso, o sistema ganha força quando o capital é limitado, os alimentos concentrados estão caros ou a fazenda ainda não possui equipe e estrutura para executar um confinamento com precisão.
Condições favoráveis ao pastejo
- Pastagens produtivas e bem manejadas.
- Boa disponibilidade de água e estrutura de piquetes.
- Capacidade de ajustar a lotação ao longo do ano.
- Suplementação planejada para os períodos críticos.
- Menor disponibilidade de capital de giro.
- Mercado que não exige uma janela muito curta de acabamento.
- Equipe capacitada para manejo de solo, forragem e animais.
Quando o confinamento tende a ser mais vantajoso?
O confinamento tende a apresentar maior valor estratégico quando a fazenda precisa terminar animais rapidamente, liberar pastagens, aproveitar alimentos competitivos ou atender uma janela comercial específica.
Além disso, a operação se torna mais viável quando há escala, estrutura adequada, equipe treinada, dieta formulada com ingredientes disponíveis e capacidade financeira para suportar o ciclo.
Condições favoráveis ao confinamento
- Animais adequados para uma terminação curta e eficiente.
- Relação favorável entre reposição, dieta e preço de venda.
- Volumoso e ingredientes disponíveis com qualidade conhecida.
- Estrutura de cochos, água, drenagem e manejo.
- Capital de giro e reserva para oscilações.
- Controle diário de consumo, desempenho, sanidade e custos.
- Benefício econômico mensurável pela liberação das pastagens.
Por que muitos sistemas combinam pasto e confinamento?
Na prática, pasto e confinamento não precisam competir. Em diversos sistemas, o pasto sustenta a cria e a recria, enquanto o confinamento é utilizado apenas na terminação.
Dessa forma, a propriedade aproveita a forragem como base de menor custo e utiliza a dieta intensiva no período em que o animal apresenta melhor resposta econômica.
Além disso, o confinamento estratégico pode proteger a fazenda contra a seca, antecipar o abate e aumentar a capacidade de suporte das áreas destinadas às demais categorias.
O que calcular antes de escolher?
Primeiramente, a fazenda precisa estimar o peso de entrada, o peso de saída, o ganho esperado, os dias de permanência e o rendimento de carcaça. Em seguida, deve calcular todos os custos e valorar os recursos produzidos internamente.
Além disso, a análise precisa incluir depreciação, juros, mão de obra, combustível, manutenção, mortalidade, frete, comissão, impostos e custo de oportunidade da terra e do capital.
| Grupo | Itens que devem entrar no cálculo |
|---|---|
| Animal | Preço de compra ou valor de transferência, frete, comissão e perdas. |
| Alimentação | Forragem, suplemento, concentrado, volumoso, mistura, armazenamento e distribuição. |
| Estrutura | Cocho, bebedouro, cercas, drenagem, máquinas, galpões e depreciação. |
| Operação | Mão de obra, combustível, manutenção, energia e assistência técnica. |
| Sanidade | Vacinas, medicamentos, protocolos, mortalidade e descarte. |
| Financeiro | Juros, capital de giro e custo de oportunidade. |
| Receita | Peso vendido, rendimento, preço, bonificações, descontos e momento da venda. |
Como fazer uma análise de sensibilidade?
Uma projeção única cria uma falsa sensação de segurança. Por isso, a fazenda deve simular cenários com diferentes preços de compra, custo da dieta, ganho diário, dias de permanência e valor de venda.
Em seguida, é necessário identificar quais variáveis mudam mais o resultado. No confinamento, pequenas alterações no custo da alimentação ou no preço de venda podem reduzir rapidamente a margem.
No pastejo, por outro lado, o resultado pode ser mais sensível à lotação, ao desempenho na seca, ao custo da suplementação e ao tempo adicional até o abate.
Quais indicadores acompanhar durante o ciclo?
A decisão não termina quando os animais entram no sistema. Pelo contrário, os dados precisam ser registrados durante toda a operação para permitir correções antes do fechamento do lote.
| Pastejo | Confinamento |
|---|---|
| Altura e massa de forragem. | Consumo de matéria seca. |
| Taxa de lotação. | Leitura de cocho. |
| Ganho médio diário. | Ganho médio diário. |
| Desempenho por hectare. | Conversão alimentar. |
| Custo do suplemento. | Custo da dieta e da arroba produzida. |
| Dias na fase de terminação. | Dias de cocho. |
| Condição da pastagem. | Morbidade, mortalidade e refugagem. |
Além disso, ambos os sistemas devem acompanhar rendimento, acabamento, perdas, custo total, margem e retorno sobre o capital.
Erros que tornam a comparação injusta
| Erro | Consequência |
|---|---|
| Não valorar o animal próprio | Faz o confinamento parecer mais lucrativo do que realmente é. |
| Considerar o pasto como gratuito | Esconde custo da terra, correção, adubação e manutenção. |
| Comparar apenas ganho diário | Ignora margem, área, capital e risco. |
| Ignorar a liberação de pastagem | Subestima o benefício sistêmico do confinamento. |
| Usar médias sem separar lotes | Oculta categorias, dietas ou piquetes com desempenho inferior. |
| Não incluir depreciação e juros | Confunde sobra de caixa com lucro econômico. |
| Projetar desempenho ideal | Superestima receita e subestima dias de permanência. |
| Copiar resultados de outra fazenda | Desconsidera preços, clima, estrutura e eficiência próprios. |
Roteiro prático para tomar a decisão
1. Defina o objetivo
Determine se a prioridade é margem por cabeça, liberação de pasto, giro, acabamento ou produção por hectare.
2. Conheça os recursos
Mapeie terra, forragem, ingredientes, estrutura, equipe, água e capital.
3. Projete o desempenho
Estime ganho, consumo, dias, peso de saída e rendimento com base em dados próprios ou referências compatíveis.
4. Calcule todos os custos
Inclua recursos comprados e produzidos, além de depreciação, juros e custo de oportunidade.
5. Simule cenários
Teste alterações de preço, consumo, ganho e período de permanência.
6. Avalie o efeito sobre a fazenda
Considere a área liberada, a lotação das demais categorias e a necessidade de caixa.
7. Comece com escala controlável
Por fim, ajuste a operação antes de ampliar o número de animais.
Perguntas frequentes sobre confinamento e pastejo
O confinamento sempre produz mais ganho de peso?
Em geral, dietas de maior densidade energética permitem ganhos mais elevados. Entretanto, pastagens de alta qualidade com suplementação também podem produzir bom desempenho.
O pastejo sempre possui menor custo?
Não. O custo pode ser menor quando o pasto é produtivo e bem utilizado. Contudo, baixa lotação, perdas de forragem e ciclo longo aumentam o custo da arroba.
É necessário ter muita escala para confinar?
Não necessariamente. Ainda assim, a escala influencia a diluição de estrutura, equipamentos, equipe e assistência técnica. Por isso, pequenos lotes precisam ser cuidadosamente calculados.
Confinar na seca é sempre vantajoso?
Não. A seca pode aumentar o valor estratégico do confinamento, mas a decisão depende da disponibilidade e do custo dos alimentos, do boi magro, do preço esperado e da capacidade operacional.
O semiconfinamento substitui o confinamento?
Nem sempre. Ele pode ser uma alternativa intermediária, porém depende de pasto, espaço de cocho, suplemento, água e manejo compatíveis.
Qual indicador deve decidir o sistema?
Nenhum indicador isolado. Portanto, devem ser analisados margem por animal, por hectare e por dia, custo da arroba produzida, retorno sobre o capital e risco.
É possível usar os dois sistemas na mesma fazenda?
Sim. Aliás, a combinação entre cria e recria a pasto, suplementação estratégica e terminação em confinamento é uma forma de aproveitar as vantagens de cada etapa.
Qual sistema é mais seguro financeiramente?
Depende da estrutura de custos e do caixa. Em geral, o confinamento concentra maior desembolso, enquanto o pastejo fica mais exposto ao clima e ao tempo de produção.
Conclusão
Confinamento e pastejo não possuem uma hierarquia fixa. O confinamento oferece velocidade, controle e liberação de áreas. Entretanto, exige capital, estrutura e execução diária precisa.
O pastejo, por sua vez, aproveita a forragem e pode reduzir a dependência de alimentos comprados. Ainda assim, sua vantagem depende da produtividade da área, do manejo da sazonalidade e da capacidade de manter ganho ao longo do ciclo.
Portanto, o sistema mais vantajoso é aquele que produz a arroba com margem, remunera a terra e o capital, mantém risco compatível com o caixa e melhora o resultado da fazenda como um todo.
Em síntese, a decisão não deve ser feita por modismo. Ela precisa partir dos dados da propriedade, de projeções conservadoras e da integração entre nutrição, pastagem, gestão e mercado.
Referências bibliográficas
Sistemas de produção e terminação
ALVES, J. G. F. et al. Beef cattle finishing systems used in scientific research in Brazil: an integrative review. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 76, n. 6, e13284, 2024. DOI: 10.1590/1678-4162-13284.
CEZAR, I. M.; QUEIROZ, H. P. de; THIAGO, L. R. L. de S.; GARAGORRY, F. L.; COSTA, F. P. Sistemas de produção de gado de corte no Brasil: uma descrição com ênfase no regime alimentar e no abate. Campo Grande, MS: Embrapa Gado de Corte, 2005. 40 p. (Documentos, 151).
BARBERO, R. P. et al. Production potential of beef cattle in tropical pastures: a review. Ciência Animal Brasileira, v. 22, e-69609, 2021. DOI: 10.1590/1809-6891v22e-69609.
Eficiência econômica e uso dos recursos
TUPY, O.; ESTEVES, S. N.; TÚLLIO, R. R.; FERREIRA, R. de P. O potencial sustentável da bovinocultura de corte do Brasil. Revista de Política Agrícola, v. 24, n. 4, p. 46–54, 2015.
TUPY, O.; VINHOLIS, M. de M. B.; BARIONI JÚNIOR, W. Eficiência na produção de bovinos de corte de ciclo completo no estado de São Paulo. Informações Econômicas, v. 53, eie142020, 2023. DOI: 10.56468/1678-832X.eie1420.2023.
PASQUINI NETO, R.; FURTADO, A. J.; REZENDE, V. T.; PEZZOPANE, J. R. M.; OLIVEIRA, P. P. A.; GAMEIRO, A. H. Avaliação econômica de sistemas de produção de bovinos de corte a pasto, incluindo um sistema consorciado com Cajanus cajan. In: JORNADA CIENTÍFICA DA EMBRAPA SÃO CARLOS, 15., 2023, São Carlos, SP. Anais… São Carlos, SP: Embrapa Pecuária Sudeste; Embrapa Instrumentação, 2023. p. 59. (Resumo em anais).
Confinamento, custos e risco econômico
QUEIROZ, K. E. R.; REIS, J. D.; SIMÕES, A. R. P. Análise da viabilidade econômica, em condições de riscos, do sistema de confinamento utilizado para a terminação de bovinos no estado de São Paulo, Brasil. Revista Ambiente Contábil, v. 14, n. 1, p. 216–228, 2022. DOI: 10.21680/2176-9036.2022v14n1ID23517.
LOPES, M. A.; MAGALHÃES, G. P. Análise da rentabilidade da terminação de bovinos de corte em condições de confinamento: um estudo de caso. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 57, n. 3, p. 374–379, 2005. DOI: 10.1590/S0102-09352005000300016.
MANDARINO, R. A. et al. Desempenho produtivo e econômico do confinamento de bovinos zebuínos alimentados com três dietas de alto concentrado. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 65, n. 5, p. 1463–1471, 2013. DOI: 10.1590/S0102-09352013000500027.
MEDEIROS, J. A. V.; CUNHA, C. A. da; WANDER, A. E. Viabilidade econômica de sistema de confinamento de bovinos de corte em Goiás. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA RURAL, 53., 2015, João Pessoa. Agropecuária, meio ambiente e desenvolvimento: anais. João Pessoa: SOBER, 2015.
Nutrição e bem-estar animal
NATIONAL ACADEMIES OF SCIENCES, ENGINEERING, AND MEDICINE. Nutrient Requirements of Beef Cattle. 8th rev. ed. Washington, DC: The National Academies Press, 2016. DOI: 10.17226/19014.
WORLD ORGANISATION FOR ANIMAL HEALTH (WOAH). Terrestrial Animal Health Code. Chapter 7.9: Animal welfare and beef cattle production systems. Paris: WOAH, 2024.