As estruturas umbilicais representam uma possível porta de entrada para microrganismos durante os primeiros dias de vida do bezerro. Logo após o nascimento, vasos e tecidos que participavam da circulação fetal precisam se fechar, retrair e passar por um processo gradual de involução.
Enquanto esse processo não está concluído, contaminação ambiental, falhas na colostragem, higiene inadequada e demora na identificação das alterações podem favorecer a instalação de processos inflamatórios ou infecciosos.
Entre essas alterações está a onfaloflebite, definida pelo comprometimento da veia umbilical. Diferentemente de uma inflamação limitada à porção externa do umbigo, esse quadro pode se estender cranialmente pela cavidade abdominal e alcançar o fígado.
Consequentemente, a doença não deve ser avaliada apenas pela aparência do coto umbilical. Em alguns animais, as alterações internas são mais extensas do que os sinais observados externamente.
Além disso, a onfaloflebite pode ocorrer isoladamente ou associada ao comprometimento das artérias umbilicais, do úraco e dos tecidos externos. Por isso, identificar corretamente quais estruturas estão envolvidas é essencial para definir o tratamento e estabelecer o prognóstico.
O que é onfaloflebite?
Onfaloflebite é a inflamação da veia umbilical, geralmente associada à infecção bacteriana ascendente. A estrutura afetada segue do umbigo em direção ao fígado, o que explica a possibilidade de formação de abscessos ao longo do trajeto vascular ou no tecido hepático.
O termo não deve ser utilizado como sinônimo de toda infecção umbilical. Quando o processo está limitado às estruturas externas, a denominação mais adequada é onfalite. Por outro lado, quando as artérias umbilicais ou o úraco estão envolvidos, utilizam-se os termos onfaloarterite e onfalouraquite.
Em alguns bezerros, mais de uma estrutura está comprometida. Nesses casos, podem ser empregadas denominações combinadas, como onfaloarterioflebite, ou o termo panvasculite umbilical quando existe envolvimento amplo dos remanescentes vasculares.
O diagnóstico anatômico muda a conduta
Uma inflamação superficial, uma veia umbilical infectada e um úraco comprometido não possuem a mesma evolução nem exigem necessariamente a mesma abordagem terapêutica.
Quais estruturas formam o umbigo do bezerro?
Durante a vida fetal, o cordão umbilical estabelece a comunicação entre o feto e a placenta. Ele contém vasos responsáveis pelas trocas sanguíneas e o ducto alantoide, também conhecido como úraco.
Após o nascimento e a ruptura do cordão, essas estruturas deixam de cumprir sua função fetal. Em condições normais, ocorre constrição, fechamento, retração e involução progressiva.
| Estrutura | Função durante a vida fetal | Destino após o nascimento |
|---|---|---|
| Veia umbilical | Transporta sangue oxigenado e nutrientes da placenta em direção ao feto. | Fecha-se e sofre involução, originando o ligamento redondo do fígado. |
| Artérias umbilicais | Transportam sangue do feto em direção à placenta. | Retraem-se em direção à região da bexiga e formam ligamentos umbilicais laterais. |
| Úraco | Comunica a bexiga fetal com o alantoide. | Fecha-se e forma o ligamento umbilical mediano. |
| Tecidos externos | Envolvem e sustentam os componentes do cordão. | Secam, sofrem retração e se desprendem durante a cicatrização. |
A veia umbilical segue cranialmente a partir do umbigo e mantém relação direta com o fígado. Portanto, quando essa estrutura é colonizada por bactérias, o processo pode avançar pelo seu trajeto e comprometer o parênquima hepático.
Já as artérias e o úraco seguem caudalmente em direção à bexiga. Dessa maneira, alterações nessas estruturas apresentam distribuição anatômica e possíveis complicações diferentes.
Estrutura visível na ultrassonografia significa doença?
Não necessariamente. As estruturas umbilicais não desaparecem imediatamente após o nascimento. Elas passam por involução gradual e podem continuar visíveis durante as primeiras semanas de vida.
Em um estudo brasileiro com bezerros Nelore sadios, a veia e as artérias umbilicais puderam ser visualizadas ultrassonograficamente até os 35 dias de idade. O ducto alantoide, por sua vez, foi observado principalmente durante a primeira semana.
Portanto, visualizar uma estrutura umbilical não é suficiente para diagnosticar onfaloflebite. O médico-veterinário precisa considerar o diâmetro, a espessura e a regularidade da parede, o conteúdo do lúmen, a ecogenicidade, o trajeto da estrutura e a evolução esperada para a idade.
Evite interpretar um único diâmetro de forma isolada
A suspeita de infecção depende da combinação entre exame clínico, aspecto ultrassonográfico, idade do bezerro e comparação com o processo normal de involução.
Qual é a diferença entre as principais onfalopatias?
| Alteração | Estrutura acometida | Característica principal |
|---|---|---|
| Onfalite | Tecidos externos do umbigo | Inflamação ou infecção localizada predominantemente na porção externa. |
| Onfaloflebite | Veia umbilical | Infecção que pode progredir em direção ao fígado. |
| Onfaloarterite | Uma ou ambas as artérias umbilicais | Processo que se estende caudalmente em direção à bexiga. |
| Onfalouraquite | Úraco | Inflamação ou infecção do remanescente que liga o umbigo à bexiga. |
| Panvasculite umbilical | Múltiplas estruturas | Comprometimento simultâneo de diferentes remanescentes umbilicais. |
| Úraco patente | Úraco | Falha de fechamento, frequentemente percebida pela eliminação de urina pelo umbigo. |
| Hérnia umbilical | Anel umbilical e parede abdominal | Passagem de conteúdo abdominal através de uma abertura na parede. |
Essas alterações também podem ocorrer em conjunto. Uma hérnia pode estar associada a infecção, assim como um úraco persistente pode sofrer contaminação secundária.
Como a onfaloflebite se desenvolve?
A infecção geralmente começa quando microrganismos presentes no ambiente alcançam os tecidos umbilicais ainda úmidos ou lesionados. Em seguida, as bactérias podem se multiplicar localmente e avançar pelas estruturas internas.
Inicialmente, o processo pode permanecer restrito à região umbilical. Entretanto, conforme a infecção avança, ocorre espessamento da parede da veia, acúmulo de conteúdo inflamatório e formação de abscessos.
Quando a infecção alcança a porção da veia relacionada ao fígado, podem surgir abscessos hepáticos. Além disso, bactérias ou mediadores inflamatórios podem alcançar a circulação e provocar comprometimento sistêmico.
Quais fatores aumentam o risco?
A onfaloflebite não costuma resultar de um único fator. Em geral, ela ocorre quando a exposição a microrganismos se combina com falhas nas barreiras locais e na proteção imunológica do recém-nascido.
Ambiente de parto contaminado
Umidade, fezes, lama, matéria orgânica e alta densidade de animais aumentam a exposição do coto umbilical aos microrganismos. Portanto, a condição da maternidade influencia diretamente o risco de contaminação.
Falhas na colostragem
Os bezerros nascem dependentes da ingestão de colostro para adquirir imunoglobulinas. Quando o fornecimento é tardio, insuficiente ou de baixa qualidade, aumenta a vulnerabilidade às infecções neonatais.
Traumas e miíases
Lesões do coto e infestações por larvas aumentam a inflamação, danificam os tecidos e favorecem a contaminação bacteriana.
Atraso na identificação
Quando o aumento, a dor ou a secreção são percebidos apenas após vários dias, a infecção pode já ter avançado para estruturas intra-abdominais.
O risco começa antes do primeiro sinal visível
Maternidade, colostragem e protocolo umbilical precisam ser organizados antes do nascimento. A prevenção não começa quando o umbigo já está aumentado.
Qual é a importância do iodo na cura do umbigo?
A aplicação de um antisséptico no coto umbilical logo após o nascimento é uma das práticas tradicionalmente utilizadas para reduzir a contaminação dos tecidos que ainda permanecem expostos ao ambiente.
Entre os produtos empregados, a tintura de iodo se destaca por combinar ação antisséptica com o efeito desidratante da solução alcoólica. Dessa forma, ela ajuda a reduzir a carga de microrganismos na superfície do coto e favorece sua secagem e involução.
Esse processo é importante porque, enquanto o cordão permanece úmido, contaminado ou com cicatrização lenta, os tecidos umbilicais continuam funcionando como uma possível porta de entrada para bactérias.
O objetivo não é apenas “pintar” o umbigo
O produto precisa alcançar toda a extensão externa do coto, incluindo a região próxima à parede abdominal. Uma aplicação superficial ou incompleta pode deixar áreas sem contato adequado com o antisséptico.
Por que o iodo é utilizado?
| Função do iodo | Importância no manejo neonatal |
|---|---|
| Ação antisséptica | Ajuda a reduzir a quantidade de microrganismos presentes na superfície do coto. |
| Desidratação do tecido | Favorece a secagem e a cicatrização do remanescente externo. |
| Proteção inicial | Reduz a exposição dos tecidos recém-rompidos durante as primeiras horas de vida. |
| Padronização do manejo | Permite incluir a inspeção do umbigo na rotina imediata de atendimento ao recém-nascido. |
Quando o iodo deve ser aplicado?
A antissepsia deve fazer parte dos cuidados iniciais realizados logo após o nascimento, assim que o bezerro estiver respirando adequadamente e em condição estável.
Imersão ou pulverização?
A imersão é frequentemente utilizada por facilitar o contato do antisséptico com toda a extensão externa do coto. Quando se utiliza pulverização, é necessário garantir cobertura completa, inclusive junto à parede abdominal. Entretanto, o recipiente de imersão pode se tornar uma fonte de transmissão de microrganismos quando a mesma solução é reutilizada entre diferentes animais.
O recipiente também faz parte da biosseguridade
Mergulhar vários umbigos em uma solução já contaminada pode transformar uma medida preventiva em uma forma de disseminação de microrganismos entre os bezerros.
Qual concentração deve ser utilizada?
Protocolos técnicos descrevem diferentes concentrações e formulações de iodo para a antissepsia do umbigo. Portanto, a propriedade deve adotar um protocolo padronizado com orientação do médico-veterinário e seguir as instruções do produto utilizado.
Uma aplicação é suficiente?
A literatura apresenta resultados diferentes sobre a eficácia dos protocolos. Um ensaio clínico realizado com 284 bezerros Holandeses não encontrou redução significativa das infecções umbilicais externas após uma única aplicação de tintura de iodo a 7%, quando comparada à ausência de aplicação.
Esse resultado não demonstra que a antissepsia seja desnecessária. Ele reforça que uma aplicação isolada não compensa falhas de colostragem, higiene e monitoramento.
O iodo trata uma onfaloflebite já instalada?
Não. Depois que a infecção alcança a veia umbilical ou outras estruturas intra-abdominais, a aplicação externa de iodo não consegue eliminar o foco profundo. Nessa situação, o bezerro precisa ser examinado para determinar a extensão da lesão e a presença de complicações.
O que os estudos brasileiros mostram?
Em um levantamento realizado em seis propriedades leiteiras no nordeste do Pará, foram examinados 225 bezerros com idade entre um dia e três meses. Naquele contexto específico, 95 animais apresentavam algum tipo de alteração umbilical.
Entre os animais afetados, a onfalite externa foi a alteração mais frequente. A onfaloflebite foi identificada em 22 dos 95 bezerros com onfalopatia.
Esses resultados não podem ser extrapolados automaticamente para todo o país. Contudo, demonstram como condições inadequadas de manejo podem estar associadas a elevada ocorrência de doenças umbilicais.
Quais são os sinais clínicos da onfaloflebite?
A apresentação clínica varia conforme a idade do bezerro, a extensão da infecção, o tempo de evolução e a presença de disseminação para outros órgãos. Por isso, alguns animais apresentam alterações evidentes no umbigo, enquanto outros manifestam principalmente sinais sistêmicos.
Nos quadros iniciais, podem ser observados aumento de volume, calor, dor e espessamento da região umbilical. Além disso, o coto pode permanecer úmido por mais tempo, apresentar cicatrização lenta ou eliminar secreção.
Entretanto, a ausência de secreção externa não exclui a onfaloflebite. Quando a infecção se concentra na porção intra-abdominal da veia umbilical, a pele e o coto podem apresentar alterações discretas.
| Grupo de sinais | Alterações que podem ser observadas |
|---|---|
| Umbigo | Aumento de volume, dor, calor, consistência alterada, secreção, fístula ou cicatrização lenta. |
| Comportamento | Apatia, menor interação, dificuldade para acompanhar a mãe ou redução da atividade. |
| Alimentação | Redução da mamada, menor consumo e atraso no desenvolvimento. |
| Parâmetros clínicos | Febre, aumento das frequências cardíaca e respiratória ou sinais de desidratação. |
| Complicações | Aumento de articulações, claudicação, pneumonia, diarreia, sinais neurológicos ou sepse. |
A temperatura corporal pode estar normal
Processos localizados, crônicos ou encapsulados nem sempre provocam febre. Portanto, a ausência de hipertermia não é suficiente para descartar infecção profunda.
O aspecto externo indica a extensão da lesão?
Nem sempre. Um umbigo muito aumentado pode estar associado a uma lesão predominantemente superficial. Por outro lado, um bezerro com pouca alteração externa pode apresentar espessamento e conteúdo inflamatório ao longo da veia umbilical.
Consequentemente, o tamanho externo não permite determinar sozinho quais estruturas estão comprometidas. A avaliação precisa considerar inspeção, palpação e, sempre que houver suspeita de envolvimento intra-abdominal, exame ultrassonográfico.
Umbigo aumentado não é um diagnóstico
A protrusão umbilical pode resultar de infecção, hérnia, abscesso, fibrose, úraco persistente ou da combinação entre diferentes alterações.
Como deve ser feito o exame clínico?
O exame começa pela anamnese. Idade, tipo de parto, condições da maternidade, colostragem, produto utilizado no umbigo, forma de aplicação, presença de miíase e tratamentos anteriores ajudam a estimar o risco e a evolução do quadro.
Em seguida, o médico-veterinário avalia o estado geral do bezerro. Temperatura, frequência cardíaca, frequência respiratória, hidratação, mucosas, comportamento, apetite e condição corporal devem ser registrados.
Inspeção do umbigo
Durante a inspeção, devem ser observados tamanho, formato, umidade, presença de crostas, secreção, fístula, sangramento, miíase e eliminação de urina.
Palpação externa
A palpação permite avaliar temperatura, dor, consistência, mobilidade e relação com o anel umbilical. Um abscesso pode apresentar região flutuante, enquanto tecidos fibrosados tendem a ser mais firmes.
Palpação abdominal profunda
A partir do anel umbilical, a palpação pode seguir cranialmente em direção ao fígado para avaliação da veia umbilical. Da mesma forma, o exame pode seguir caudalmente em direção à bexiga para investigar artérias e úraco.
| Direção da palpação | Estrutura investigada | Possível alteração |
|---|---|---|
| Do umbigo em direção cranial | Veia umbilical | Cordão espessado, doloroso ou firme em direção ao fígado. |
| Do umbigo em direção caudal | Úraco e artérias umbilicais | Estruturas aumentadas em direção à bexiga. |
| Região do anel umbilical | Tecidos externos e parede abdominal | Abscesso, fibrose, hérnia ou comprometimento combinado. |
Por que a ultrassonografia é tão importante?
A ultrassonografia permite observar estruturas localizadas dentro da cavidade abdominal sem necessidade de procedimento invasivo. Dessa forma, ela complementa o exame físico e ajuda a identificar o trajeto e a extensão da lesão.
Na suspeita de onfaloflebite, a veia umbilical deve ser acompanhada desde o anel umbilical até sua entrada no fígado. Essa avaliação é importante porque a infecção pode estar presente apenas em determinados segmentos.
Além disso, o exame permite diferenciar a veia das artérias e do úraco, verificar se há formação de abscessos e avaliar o parênquima hepático.
O que a ultrassonografia realmente acrescenta?
Ela não apenas confirma que existe uma onfalopatia. O exame mostra qual estrutura está afetada, a extensão da lesão e sua relação com o fígado ou a bexiga.
Como é realizado o exame ultrassonográfico?
O protocolo pode variar conforme o equipamento, a idade do bezerro e a experiência do examinador. Entretanto, é necessário avaliar sistematicamente as estruturas externas e internas.
O exame costuma começar na região do anel umbilical. Em seguida, a veia é acompanhada cranialmente até o fígado. Já as artérias e o úraco são examinados em direção à bexiga.
Avaliação da veia umbilical
A veia deve ser examinada em toda a sua extensão, pois uma imagem obtida apenas próxima ao umbigo pode não revelar uma lesão localizada perto do fígado.
Avaliação das artérias e do úraco
A bexiga funciona como uma referência anatômica importante. A partir dela, o examinador pode acompanhar as artérias umbilicais e o trajeto esperado do úraco em direção ao umbigo.
Preparação da região
Tricotomia e aplicação de gel favorecem a qualidade da imagem. Além disso, sujidades, líquido amniótico ressecado e pelos aglutinados podem produzir artefatos.
Como são as estruturas umbilicais normais?
Em bezerros sadios, a veia e as artérias umbilicais podem permanecer visíveis durante as primeiras semanas. Portanto, a simples identificação de uma estrutura não caracteriza infecção.
Normalmente, as paredes apresentam aspecto regular e contínuo. Além disso, o lúmen pode ser homogêneo durante as fases iniciais da involução. Com o avanço da idade, ocorre redução progressiva do diâmetro e aumento da fibrose.
| Achado | Interpretação possível |
|---|---|
| Parede regular e contínua | Pode ser compatível com involução fisiológica, conforme a idade. |
| Lúmen homogêneo | Pode representar conteúdo fisiológico nas fases iniciais. |
| Redução progressiva do calibre | Compatível com involução normal. |
| Estrutura visível nas primeiras semanas | Não indica doença de forma isolada. |
Quais achados sugerem onfaloflebite?
Na onfaloflebite, a veia pode apresentar aumento de diâmetro, espessamento de parede, contorno irregular e conteúdo luminal alterado.
O lúmen pode conter material ecogênico ou heterogêneo, compatível com exsudato, debris celulares ou conteúdo purulento. Além disso, podem ser observadas cavidades encapsuladas ao longo do trajeto.
| Achado ultrassonográfico | Possível significado |
|---|---|
| Aumento do diâmetro da veia | Inflamação, acúmulo de conteúdo ou falha de involução. |
| Parede espessada | Processo inflamatório ou fibrose. |
| Parede irregular | Inflamação mais intensa ou alteração estrutural. |
| Conteúdo ecogênico ou heterogêneo | Exsudato, fibrina, debris ou material purulento. |
| Cápsula ao redor de conteúdo | Formação de abscesso. |
| Extensão até o fígado | Maior gravidade e possível comprometimento hepático. |
Como identificar o comprometimento do fígado?
A suspeita aumenta quando a veia permanece espessada ao se aproximar do fígado ou quando existe continuidade entre o conteúdo alterado e uma lesão no parênquima hepático.
Abscessos podem apresentar conteúdo heterogêneo delimitado por uma cápsula. Entretanto, o aspecto varia conforme o estágio, a quantidade de material e a presença de gás.
O envolvimento hepático interfere no planejamento cirúrgico
Quando a lesão está limitada à veia antes de sua entrada no fígado, a abordagem pode ser diferente daquela necessária quando há abscesso ou comprometimento do parênquima.
O hemograma confirma a onfaloflebite?
Não. O hemograma ajuda a avaliar a resposta inflamatória e a condição sistêmica, mas não identifica sozinho qual estrutura umbilical está comprometida.
Leucocitose por neutrofilia e aumento do fibrinogênio podem ser observados em processos inflamatórios bacterianos. Entretanto, alterações localizadas ou crônicas podem produzir respostas discretas.
| Exame | Possível contribuição | Limitação |
|---|---|---|
| Hemograma | Avaliar resposta inflamatória, anemia e alterações celulares. | Não identifica a estrutura umbilical afetada. |
| Fibrinogênio | Apoiar a avaliação de inflamação em bovinos. | Pode aumentar em diferentes processos inflamatórios. |
| Proteína sérica | Auxiliar na investigação da transferência de imunidade passiva. | A interpretação depende da idade e do método. |
| Cultura bacteriana | Identificar o agente e orientar a escolha do antimicrobiano. | Amostras superficiais podem não representar o foco profundo. |
| Ultrassonografia | Localizar e medir as estruturas comprometidas. | Depende do equipamento, técnica e experiência. |
A cultura bacteriana é importante?
Quando existe secreção, material obtido por aspiração ou tecido removido durante a cirurgia, a cultura pode ajudar a identificar os microrganismos envolvidos e orientar a terapia antimicrobiana.
Entretanto, uma coleta realizada apenas na superfície do coto pode revelar contaminantes ambientais e não representar o agente presente na porção profunda da veia.
Principais diagnósticos diferenciais
| Alteração | Pista clínica | Exame mais útil |
|---|---|---|
| Onfaloflebite | Cordão cranial em direção ao fígado. | Ultrassonografia da veia e do fígado. |
| Onfaloarterite | Estrutura caudal em direção à bexiga. | Ultrassonografia das artérias. |
| Onfalouraquite | Alteração entre umbigo e bexiga, com ou sem eliminação de urina. | Ultrassonografia do úraco e da bexiga. |
| Hérnia | Anel e conteúdo potencialmente redutível. | Palpação e ultrassonografia. |
| Abscesso superficial | Conteúdo localizado, sem trajeto vascular. | Ultrassonografia da parede abdominal. |
| Fibrose ou hematoma | Massa firme ou aumento após trauma. | Histórico, palpação e ultrassonografia. |
Quando o quadro deve ser considerado uma urgência?
A avaliação deve ser realizada rapidamente quando o bezerro apresenta apatia intensa, ausência de mamada, febre persistente, desidratação, dificuldade para permanecer em estação ou alterações neurológicas.
Além disso, articulações aumentadas e doloridas, dificuldade respiratória e sinais de comprometimento generalizado podem indicar disseminação da infecção.
Não espere o bezerro parar de mamar
Quanto mais cedo a extensão da lesão for determinada, maior será a possibilidade de instituir o tratamento antes da formação de abscessos extensos ou da disseminação sistêmica.
Como é definido o tratamento da onfaloflebite?
O tratamento depende da extensão da infecção, das estruturas comprometidas, da presença de abscessos, da condição clínica do bezerro e da resposta às medidas já realizadas.
Por isso, não existe uma única conduta válida para todos os casos. Uma inflamação superficial e recente pode permitir abordagem diferente daquela necessária quando a veia umbilical está espessada, preenchida por conteúdo purulento ou comprometida até o fígado.
Além disso, o estado geral do animal interfere diretamente no planejamento. Bezerros com sepse, desidratação, hipoglicemia, artrite ou pneumonia precisam de estabilização e suporte, independentemente de o tratamento definitivo ser clínico ou cirúrgico.
O tratamento começa pelo diagnóstico anatômico
Antes de escolher entre terapia clínica e cirurgia, é necessário saber se a lesão está limitada aos tecidos externos ou se envolve veia, artérias, úraco, fígado ou bexiga.
Quando o tratamento clínico pode ser considerado?
O tratamento conservativo pode ser considerado em casos recentes, localizados e sem evidências de abscesso profundo, necrose extensa ou envolvimento significativo das estruturas intra-abdominais.
Em geral, o tratamento clínico pode incluir antimicrobiano sistêmico, controle da inflamação e da dor, fluidoterapia e correção de alterações metabólicas ou eletrolíticas.
Antimicrobianos sistêmicos
A escolha do antimicrobiano deve considerar a gravidade do quadro, a idade do animal, os agentes mais prováveis, tratamentos anteriores, legislação e possibilidade de cultura e antibiograma.
Controle da dor e da inflamação
A inflamação umbilical pode causar dor significativa. Consequentemente, o controle da dor contribui para o bem-estar e pode favorecer a recuperação do consumo.
Fluidoterapia e suporte
Bezerros com menor ingestão de leite, febre, diarreia ou sepse podem desenvolver desidratação, alterações ácido-básicas e deficiência energética.
| Componente do tratamento clínico | Objetivo |
|---|---|
| Antimicrobiano sistêmico | Controlar a infecção bacteriana e reduzir a disseminação. |
| Analgesia e controle da inflamação | Reduzir dor, desconforto e resposta inflamatória. |
| Fluidoterapia | Corrigir desidratação e distúrbios metabólicos. |
| Suporte nutricional | Preservar energia e recuperação do bezerro. |
| Cuidados locais | Reduzir contaminação e acompanhar a evolução externa. |
| Monitoramento clínico | Identificar falha terapêutica ou progressão da infecção. |
Por que os antimicrobianos podem falhar?
A antibioticoterapia pode controlar alguns processos infecciosos. Entretanto, sua eficácia diminui quando existem abscessos encapsulados, tecido necrosado, grande quantidade de pus ou estruturas com irrigação comprometida.
Nessas situações, a concentração do medicamento no interior da lesão pode ser insuficiente. Consequentemente, o animal pode apresentar melhora parcial e voltar a manifestar aumento umbilical, secreção, febre ou redução do apetite após o término do tratamento.
Controlar bactérias nem sempre remove o foco
Quando existe tecido infectado, encapsulado ou desvitalizado, o tratamento sistêmico pode não ser suficiente sem drenagem ou ressecção da estrutura comprometida.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia é frequentemente indicada quando existe envolvimento profundo da veia umbilical, abscesso, tecido desvitalizado, persistência de estruturas fetais ou resposta insuficiente ao tratamento clínico.
| Situação | Por que a cirurgia pode ser necessária? |
|---|---|
| Veia umbilical espessada e preenchida por conteúdo | Indica foco profundo com possível baixa penetração do antimicrobiano. |
| Abscesso encapsulado | O material purulento pode permanecer isolado da circulação. |
| Extensão em direção ao fígado | Aumenta o risco de abscesso hepático e disseminação. |
| Comprometimento de múltiplas estruturas | Pode exigir remoção da veia, artérias, úraco ou tecidos externos. |
| Úraco persistente ou infectado | Mantém comunicação ou foco próximo à bexiga. |
| Hérnia com infecção | Exige remoção do tecido infectado e correção da parede abdominal. |
| Falha do tratamento clínico | Sugere permanência do foco ou lesão mais extensa. |
O que é a onfalectomia?
Onfalectomia é o procedimento cirúrgico utilizado para remover estruturas umbilicais alteradas. A cirurgia pode incluir a ressecção dos tecidos externos e, conforme o caso, da veia umbilical, das artérias e do úraco.
A técnica precisa ser adaptada aos achados do animal. Em uma onfaloflebite, por exemplo, o cirurgião acompanha a veia cranialmente e determina o ponto em que o tecido volta a apresentar aspecto saudável.
Portanto, a onfalectomia não consiste apenas em retirar o aumento visível. O objetivo é remover o tecido infectado acessível, evitar contaminação da cavidade abdominal e restabelecer a integridade da parede.
O planejamento evita surpresas durante a cirurgia
A ultrassonografia pré-operatória ajuda a estimar a extensão da lesão, a relação com o fígado ou a bexiga e a possibilidade de envolvimento de mais de uma estrutura.
O que muda quando a veia está ligada ao fígado?
O envolvimento da porção cranial da veia umbilical torna a cirurgia mais complexa. Nesses casos, o tecido infectado pode permanecer aderido ao fígado ou formar abscessos no parênquima.
Quando existe segmento saudável antes da entrada hepática, pode ser possível ligar e remover a porção acometida. Entretanto, quando o processo se estende para dentro do fígado, a abordagem precisa ser definida individualmente.
Envolvimento hepático não deve ser descoberto apenas durante a cirurgia
Sempre que possível, a relação entre a veia e o fígado deve ser avaliada previamente por ultrassonografia para orientar a técnica e discutir o prognóstico.
Cuidados antes e depois da cirurgia
Antes do procedimento, o bezerro precisa passar por avaliação clínica completa. Desidratação, anemia, distúrbios eletrolíticos, hipoglicemia e sepse aumentam o risco anestésico e cirúrgico.
Avaliação pré-operatória
- Estado de hidratação e perfusão.
- Temperatura e condição geral.
- Reflexo de sucção e ingestão de leite.
- Hemograma e indicadores inflamatórios.
- Ultrassonografia das estruturas umbilicais.
- Avaliação de fígado, bexiga, articulações e pulmões.
- Presença de hérnia, miíase ou secreção.
Após a cirurgia, o animal deve permanecer em ambiente limpo, seco e com baixa contaminação. A ferida precisa ser inspecionada diariamente e a terapia sistêmica deve seguir a orientação do médico-veterinário responsável.
| Aspecto monitorado | Sinal de evolução favorável | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Comportamento | Animal alerta e responsivo. | Apatia crescente ou decúbito prolongado. |
| Alimentação | Retorno ou manutenção da mamada. | Redução persistente do consumo. |
| Temperatura | Estabilidade dentro da faixa esperada. | Febre persistente ou hipotermia. |
| Ferida cirúrgica | Bordas aproximadas e ausência de secreção. | Edema progressivo, dor, abertura ou pus. |
| Abdômen | Sem distensão ou dor crescente. | Dor, distensão ou sinais de peritonite. |
| Articulações | Movimentação normal. | Claudicação, dor ou aumento de volume. |
O iodo faz parte do tratamento depois da cirurgia?
O iodo possui importância principalmente na antissepsia do coto recém-nascido e na redução da contaminação superficial.
Entretanto, depois que existe infecção profunda ou após a realização da cirurgia, o manejo local deve seguir o protocolo definido pelo cirurgião. Aplicar repetidamente soluções concentradas sobre uma ferida cirúrgica sem orientação pode irritar tecidos e atrasar a cicatrização.
Quais complicações podem ocorrer?
A principal preocupação é a disseminação da infecção para outros tecidos. Como os remanescentes umbilicais possuem relação com a circulação fetal, bactérias podem alcançar a corrente sanguínea. Sepse, artrite séptica e abscessos internos estão entre as complicações mais diretamente descritas. Em quadros de bacteremia ou sepse, infecções secundárias em outros órgãos também podem ocorrer, mas não são específicas da onfaloflebite.
| Complicação | Possível consequência |
|---|---|
| Sepse | Comprometimento sistêmico e maior risco de morte. |
| Artrite séptica | Dor, claudicação e redução permanente da função articular. |
| Abscesso hepático | Infecção persistente e pior prognóstico cirúrgico. |
| Infecções secundárias em outros órgãos | Podem ocorrer manifestações respiratórias, neurológicas ou em outros sistemas, sobretudo em quadros septicêmicos. |
| Peritonite | Dor abdominal, sepse e risco elevado de morte. |
| Baixo ganho de peso | Atraso produtivo e aumento do custo de criação. |
Qual é o prognóstico?
O prognóstico varia conforme o momento do diagnóstico, a extensão da lesão, o comprometimento hepático, a presença de sepse e a resposta ao tratamento.
Casos identificados antes da disseminação e com possibilidade de remoção completa do foco geralmente apresentam melhor evolução. Por outro lado, abscessos hepáticos extensos, múltiplas articulações comprometidas, peritonite, alterações neurológicas e debilidade intensa tornam o prognóstico mais reservado.
O prognóstico começa a ser definido antes da cirurgia
Quanto menor o tempo entre o aparecimento dos sinais, a avaliação ultrassonográfica e a remoção do foco, menor tende a ser a oportunidade de disseminação.
Tratamento clínico ou cirúrgico: comparação prática
| Característica | Tratamento clínico | Tratamento cirúrgico |
|---|---|---|
| Indicação mais provável | Processos recentes e localizados, sem abscesso profundo. | Infecção profunda, abscesso, necrose ou falha terapêutica. |
| Objetivo | Controlar a infecção e a inflamação. | Remover o foco e os tecidos comprometidos. |
| Limitação principal | Baixa penetração em abscessos e tecidos desvitalizados. | Risco anestésico, cirúrgico e necessidade de estrutura. |
| Ultrassonografia | Importante para confirmar que a lesão é limitada. | Fundamental para planejamento da abordagem. |
| Monitoramento | Resposta clínica e redução das alterações. | Cicatrização, controle da infecção e complicações. |
Como prevenir a onfaloflebite em bezerros?
A prevenção da onfaloflebite não depende de uma única prática. Pelo contrário, o risco diminui quando maternidade, colostragem, antissepsia do umbigo, higiene dos materiais e monitoramento dos recém-nascidos funcionam de forma integrada.
O iodo possui papel importante nesse protocolo, pois ajuda a reduzir a contaminação superficial e favorece a secagem do coto. Entretanto, ele não consegue compensar um parto realizado sobre lama ou fezes, um fornecimento tardio de colostro ou a reutilização de materiais contaminados.
Quatro pilares da prevenção
Ambiente limpo, colostragem eficiente, antissepsia correta do umbigo e inspeção diária do bezerro.
Prepare a maternidade antes do parto
A região umbilical entra em contato com o ambiente logo após a ruptura do cordão. Portanto, a quantidade de matéria orgânica presente no local influencia diretamente a exposição inicial aos microrganismos.
Áreas com acúmulo de fezes, lama, umidade e restos de parto aumentam a contaminação do coto. Consequentemente, o risco permanece elevado mesmo quando o antisséptico é aplicado.
| Condição da maternidade | Possível benefício |
|---|---|
| Cama seca e limpa | Reduz o contato inicial do coto com matéria orgânica contaminada. |
| Boa drenagem | Diminui a permanência de lama e umidade. |
| Baixa concentração de animais | Reduz acúmulo de fezes e pressão de contaminação. |
| Limpeza entre partos | Diminui a exposição de sucessivos bezerros ao mesmo material contaminado. |
| Separação de animais doentes | Evita aumentar a carga de agentes infecciosos na maternidade. |
A colostragem também protege o umbigo
Os bezerros nascem com baixa concentração de imunoglobulinas circulantes e dependem da ingestão de colostro para adquirir proteção imunológica nas primeiras semanas de vida.
Dessa forma, a colostragem influencia a capacidade de controlar bactérias que atravessam o coto umbilical. Quando o fornecimento é tardio, insuficiente, contaminado ou de baixa qualidade, aumenta a vulnerabilidade às infecções neonatais.
| Ponto | Objetivo |
|---|---|
| Rapidez | Fornecer o colostro o mais cedo possível após o nascimento. |
| Qualidade | Garantir concentração adequada de imunoglobulinas. |
| Quantidade | Oferecer volume compatível com o peso e o protocolo da propriedade. |
| Higiene | Evitar que baldes, mamadeiras, sondas ou colostro contaminado introduzam patógenos. |
Colostro não atua apenas contra diarreia e pneumonia
Uma transferência adequada de imunidade passiva também aumenta a capacidade do recém-nascido de responder às bactérias que entram pelas estruturas umbilicais.
Como realizar a antissepsia umbilical?
O procedimento deve ser feito logo após o nascimento, depois que a respiração e a condição geral do bezerro estiverem estabilizadas.
Antes da aplicação, o responsável deve verificar se existe hemorragia, ruptura muito próxima da parede abdominal, tecido excessivamente longo, sujeira intensa ou malformação.
Sequência prática
- Utilizar luvas ou manter as mãos devidamente higienizadas.
- Examinar o coto e verificar sangramento, trauma, sujeira ou alteração anatômica.
- Utilizar produto dentro da validade e armazenado conforme o fabricante.
- Colocar pequena quantidade em recipiente limpo e destinado ao bezerro.
- Imergir completamente a porção externa do coto.
- Garantir contato do antisséptico com a região próxima à parede abdominal.
- Descartar a solução que entrou em contato com o umbigo.
- Registrar o procedimento e identificar o bezerro.
- Reavaliar a secagem e o aspecto do coto nos dias seguintes.
Por que a imersão costuma ser utilizada?
A imersão é frequentemente adotada por facilitar o contato do produto com toda a superfície externa. Caso seja utilizada pulverização, a aplicação deve alcançar todos os lados do coto e a região próxima ao anel umbilical, sem depender de uma borrifação rápida ou parcial.
A solução pode voltar ao frasco?
Não. Depois de entrar em contato com o umbigo, a solução deve ser descartada. Devolvê-la ao frasco original pode contaminar todo o produto.
O coto precisa ser cortado?
O corte não deve ser realizado automaticamente em todos os animais. Quando houver indicação, o procedimento deve usar instrumento limpo e técnica definida pelo médico-veterinário.
O umbigo deve ser inspecionado todos os dias?
Sim. A aplicação do antisséptico não encerra o manejo. Durante os primeiros dias de vida, o umbigo deve ser observado e palpado com cuidado para acompanhar secagem, redução de volume e cicatrização.
| Achado | Interpretação |
|---|---|
| Coto progressivamente seco | Evolução esperada, desde que não haja dor, calor ou aumento. |
| Umidade persistente | Pode indicar cicatrização inadequada, secreção ou persistência do úraco. |
| Calor e dor | Sugerem processo inflamatório. |
| Aumento progressivo | Exige investigação de infecção, abscesso, hérnia ou outras alterações. |
| Secreção purulenta ou odor | Sugere infecção e requer avaliação veterinária. |
| Urina saindo pelo umbigo | Sugere úraco patente e exige exame. |
| Larvas ou lesão aberta | Indicam miíase e risco elevado de contaminação secundária. |
Principais erros na cura do umbigo
| Erro | Possível consequência |
|---|---|
| Demorar para aplicar o antisséptico | Permite maior tempo de contato do tecido úmido com microrganismos. |
| Apenas borrifar superficialmente | Pode deixar parte do coto sem cobertura adequada. |
| Reutilizar solução contaminada | Pode transferir microrganismos entre bezerros. |
| Devolver a solução ao frasco | Contamina o produto armazenado. |
| Utilizar produto vencido ou mal armazenado | Compromete a qualidade e a previsibilidade da antissepsia. |
| Aplicar substâncias não aprovadas | Pode provocar irritação, queimadura ou contaminação. |
| Cortar com instrumento contaminado | Introduz microrganismos diretamente no tecido. |
| Não verificar o umbigo novamente | Atrasa a identificação de inflamação ou infecção profunda. |
| Confiar somente no iodo | Mantém o risco quando maternidade e colostragem são inadequadas. |
Protocolo preventivo da propriedade
Antes do parto
- Manter a maternidade limpa, seca e drenada.
- Separar materiais exclusivos para atendimento neonatal.
- Verificar validade, armazenamento e disponibilidade do antisséptico.
- Manter recipientes individuais ou higienizados.
- Organizar colostro e utensílios de fornecimento.
Logo após o nascimento
- Avaliar respiração, vigor e presença de trauma.
- Identificar o animal e registrar o horário do nascimento.
- Examinar o coto umbilical.
- Realizar antissepsia completa conforme o protocolo.
- Fornecer colostro rapidamente e registrar horário, volume e qualidade.
Nos primeiros dias
- Observar comportamento e capacidade de mamar.
- Verificar secagem, dor, calor, umidade e aumento umbilical.
- Inspecionar articulações e locomoção.
- Controlar moscas e manter a cama seca.
- Encaminhar alterações para avaliação veterinária.
Quando revisar o manejo da fazenda?
Um caso isolado pode ocorrer mesmo em propriedades bem manejadas. Entretanto, o aparecimento repetido de umbigos aumentados, miíases, artrites sépticas ou bezerros tratados com antimicrobianos indica que o protocolo precisa ser investigado.
| Indicador | O que investigar? |
|---|---|
| Aumento de onfalites externas | Antissepsia, higiene da maternidade e recipientes utilizados. |
| Onfaloflebites ou abscessos hepáticos | Diagnóstico tardio, falhas de colostragem e alta contaminação ambiental. |
| Miíases frequentes | Controle de moscas, umidade e inspeção dos recém-nascidos. |
| Artrites em bezerros jovens | Infecções umbilicais profundas, sepse e transferência de imunidade. |
| Muitos umbigos úmidos | Falhas de secagem, cobertura do antisséptico e persistência de úraco. |
| Uso frequente de antimicrobianos | Prevenção, diagnóstico anatômico e indicação tardia de cirurgia. |
Perguntas frequentes sobre onfaloflebite
Onfaloflebite é a mesma coisa que infecção de umbigo?
Não. A expressão “infecção de umbigo” é genérica. Onfaloflebite indica especificamente o comprometimento da veia umbilical.
Qual é a diferença entre onfalite e onfaloflebite?
A onfalite afeta predominantemente os tecidos externos. Já a onfaloflebite envolve a veia umbilical e pode avançar em direção ao fígado.
Todo umbigo aumentado está infectado?
Não. Hérnia, fibrose, hematoma e persistência de estruturas fetais também podem causar aumento de volume.
O umbigo pode estar infectado sem apresentar secreção?
Sim. A infecção pode estar concentrada na porção intra-abdominal da veia, sem drenagem externa evidente.
O iodo é importante na cura do umbigo?
Sim. O iodo ajuda a reduzir a contaminação superficial e favorece a secagem do coto. Entretanto, precisa ser aplicado corretamente e não substitui colostragem e higiene.
Uma única aplicação de iodo é suficiente?
Não há garantia. A eficácia depende da formulação, do momento, da cobertura e do restante do protocolo neonatal.
O iodo trata uma onfaloflebite já instalada?
Não. A aplicação externa não alcança adequadamente uma infecção localizada dentro da veia ou em um abscesso.
Como saber se a infecção chegou ao fígado?
A ultrassonografia permite acompanhar a veia até sua entrada no fígado e identificar abscessos ou alterações do parênquima.
Todo caso precisa de cirurgia?
Não. Casos recentes e limitados podem responder ao tratamento clínico. Entretanto, abscessos, infecção profunda, necrose e falha terapêutica aumentam a indicação de cirurgia.
A onfaloflebite pode causar artrite?
Sim. Bactérias podem alcançar a circulação e se instalar nas articulações, provocando poliartrite séptica.
Febre sempre está presente?
Não. Processos localizados, crônicos ou encapsulados podem ocorrer sem febre.
Conclusão
A onfaloflebite é uma infecção da veia umbilical capaz de avançar da região do umbigo até o fígado. Portanto, não deve ser tratada como uma alteração apenas superficial.
Embora aumento de volume, dor, calor e secreção sejam sinais importantes, a ausência dessas alterações não exclui o comprometimento intra-abdominal. Nesse contexto, a ultrassonografia permite identificar a estrutura afetada, determinar a extensão da lesão e orientar a escolha entre tratamento clínico e cirúrgico.
Além disso, o prognóstico depende do momento do diagnóstico. Quando o foco permanece sem identificação, aumentam os riscos de abscessos hepáticos, sepse, artrite, pneumonia e atraso no desenvolvimento.
A prevenção, por sua vez, começa antes do nascimento. Maternidade limpa, colostragem precoce, manejo higiênico e antissepsia completa do coto formam a base do protocolo.
O iodo possui importância nesse processo porque ajuda a reduzir a contaminação e favorece a secagem. Entretanto, ele não funciona como proteção absoluta nem trata uma infecção profunda já instalada.
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