Asfixia neonatal em bezerros: sinais, atendimento e prevenção

Conheça as causas da asfixia neonatal em bezerros, os sinais de alerta e a importância do atendimento imediato e do manejo adequado ao nascimento.

A asfixia neonatal em bezerros é uma emergência associada ao comprometimento das trocas gasosas próximo ao nascimento. O recém-nascido pode apresentar baixa vitalidade e dificuldade para iniciar ou manter uma respiração eficaz. Por isso, a avaliação deve começar imediatamente após o parto.

Embora a distocia seja um importante fator de risco, um bezerro pouco responsivo não deve ser diagnosticado apenas pela aparência. A avaliação veterinária precisa considerar também prematuridade, trauma e outras causas de comprometimento neonatal.


O que acontece durante a asfixia neonatal?

Antes do nascimento, o fornecimento de oxigênio depende das trocas placentárias. Depois, o bezerro precisa estabelecer ventilação pulmonar. Portanto, dificuldades durante o parto e falhas nessa transição podem comprometer a oxigenação.

Quando as trocas gasosas são insuficientes, pode ocorrer falta de oxigênio e acúmulo de dióxido de carbono. Além disso, a hipóxia dos tecidos pode contribuir para acidose metabólica. Assim, os casos mais graves podem apresentar alterações respiratórias e metabólicas simultaneamente.

Movimento respiratório não garante ventilação eficazRespirações isoladas, irregulares ou muito fracas exigem atenção. Por isso, é necessário avaliar a qualidade da respiração junto com a circulação e a resposta do animal.


Por que o parto difícil aumenta o risco?

A distocia pode prolongar o nascimento e comprometer a adaptação do bezerro. Além disso, pode estar acompanhada de trauma. Por esse motivo, animais nascidos após assistência obstétrica precisam de avaliação imediata.

Entretanto, retirar o bezerro não encerra o atendimento. A equipe também deve verificar se ele respira adequadamente, apresenta resposta aos estímulos e consegue sustentar a cabeça e o corpo.


Quais sinais exigem atendimento imediato?

A avaliação da vitalidade reúne vários sinais. Portanto, nenhum achado isolado deve substituir o exame clínico.

Sinal observadoPor que merece atenção
Ausência de respiração ou respiração agônicaIndica necessidade de intervenção imediata para estabelecer ventilação.
Respiração fraca ou irregularPode representar ventilação insuficiente.
Flacidez e pouca resposta aos estímulosSão sinais de baixa vitalidade.
Incapacidade de sustentar a cabeça ou permanecer sobre o peitoExige investigação do comprometimento neonatal.
Reflexo de sucção fraco ou ausenteCompromete a alimentação e pode acompanhar alterações clínicas importantes.

Escores de vitalidade, incluindo adaptações do APGAR, ajudam a organizar essas observações. Entretanto, existem diferentes sistemas e limitações de validação. Por isso, devem complementar a avaliação e nunca atrasar o atendimento.


Quais são as prioridades no atendimento?

Posicionar, desobstruir e estimular

Enquanto a assistência veterinária é acionada, a equipe treinada deve seguir o protocolo da propriedade. As medidas iniciais incluem posicionar o bezerro em decúbito esternal, com o peito apoiado, e remover material visível que obstrua boca e narinas.

Além disso, secar e friccionar o corpo com toalhas limpas pode ajudar a estimular a respiração e reduzir a perda de calor. Entretanto, essas medidas não substituem ventilação assistida quando o animal não respira adequadamente.

Estabelecer ventilação eficaz

Se a respiração permanece ausente ou insuficiente, pode ser necessária ventilação com pressão positiva. O procedimento exige equipamento adequado e pessoal capacitado. Isso porque vedação, pressão e posicionamento influenciam sua eficácia e segurança.

Um estudo experimental demonstrou melhora das trocas gasosas com dispositivos de ventilação em bezerros anestesiados. Entretanto, esse resultado não garante sucesso em todos os casos de asfixia no campo.

Oxigênio e ventilação têm funções diferentesOferecer oxigênio não resolve, sozinho, a ausência de ventilação. Portanto, o atendimento precisa garantir que o ar alcance os pulmões e que o dióxido de carbono seja eliminado.


Por que evitar suspender o bezerro pelas patas?

A prática de pendurar o recém-nascido para “tirar água do pulmão” deve ser evitada. Nessa posição, o conteúdo abdominal pode pressionar o diafragma e dificultar a respiração. Além disso, parte do líquido eliminado pode vir do estômago.

Por isso, as orientações universitárias consultadas priorizam o apoio sobre o peito. Também é necessário evitar que manobras repetidas atrasem a ventilação eficaz.


O atendimento termina quando o bezerro começa a respirar?

Não. Depois da estabilização inicial, é necessário acompanhar respiração, temperatura, postura e capacidade de mamar. Além disso, o médico-veterinário pode avaliar o equilíbrio ácido-base e a necessidade de tratamento complementar.

Bezerros comprometidos podem ingerir colostro insuficiente. Por isso, a colostragem precisa ser acompanhada após a estabilização. Se a sucção estiver ausente, a via de fornecimento deve ser definida por pessoal capacitado, conforme a condição clínica.

Entretanto, medicamentos estimulantes ou bicarbonato não devem substituir a avaliação da ventilação. A indicação dessas intervenções depende do quadro e da orientação veterinária.


Como reduzir o risco de asfixia neonatal?

A prevenção começa no manejo reprodutivo e continua na maternidade. Embora a distocia não possa ser eliminada, decisões adequadas ajudam a reduzir sua ocorrência.

  • Selecionar reprodutores considerando facilidade de parto, especialmente para novilhas.
  • Manter condição corporal e manejo nutricional adequados durante a gestação.
  • Além disso, acompanhar a progressão do parto e reconhecer dificuldades.
  • Definir com o veterinário quando e como realizar assistência obstétrica.
  • Preparar equipamentos e treinar a equipe para o atendimento neonatal.

Assim, a fazenda reúne duas medidas complementares: reduzir os partos difíceis e estar preparada para atender o recém-nascido comprometido.


Referências

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Acesso às fontes: 2 out. 2026.

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