A dermatofitose em bovinos é uma infecção superficial da pele e dos pelos causada por fungos dermatófitos. O principal agente nessa espécie é Trichophyton verrucosum. Além de provocar lesões nos animais, a doença possui importância zoonótica, pois pode ser transmitida às pessoas.
Embora falhas de pelos e crostas levantem a suspeita, essas alterações não identificam sozinhas a causa. Por isso, a avaliação veterinária precisa orientar tanto o diagnóstico quanto as medidas de controle no lote.
Como reconhecer a dermatofitose em bovinos?
As lesões típicas são áreas delimitadas de perda de pelos, descamação e crostas branco-acinzentadas. Entretanto, nem todas permanecem circulares: algumas podem se ampliar ou se unir, formando regiões irregulares.
Em bezerros, lesões ao redor dos olhos são características, mas outras regiões também podem ser afetadas. Além disso, a coceira é variável e pode estar ausente. Portanto, a falta de prurido não exclui a doença.
Como a infecção se espalha pelo rebanho?
A transmissão ocorre pelo contato com esporos infectantes presentes em pelos e escamas da pele. Assim, pode acontecer diretamente entre animais ou indiretamente, por objetos contaminados, como escovas e equipamentos de manejo.
Além disso, os esporos podem permanecer viáveis no ambiente por períodos prolongados. Por isso, tratar as lesões sem reduzir a contaminação pode manter fontes de exposição na propriedade.
A aglomeração favorece o problema. Portanto, além de examinar os animais afetados, é necessário revisar as condições de alojamento e o contato entre eles.
Dermatofitose e dermatofilose são a mesma doença?
Não. Apesar dos nomes semelhantes, são infecções distintas. Enquanto a dermatofitose é causada por fungos, a dermatofilose tem origem bacteriana.
| Característica | Dermatofitose | Dermatofilose |
|---|---|---|
| Agente | Fungos dermatófitos, principalmente Trichophyton verrucosum. | Bactéria Dermatophilus congolensis. |
| Lesões sugestivas | Áreas sem pelos, descamação e crostas branco-acinzentadas. | Pelos aglutinados em tufos, crostas e, em alguns casos, exsudação. |
| Exames utilizados | Exame microscópico do material das lesões e cultura fúngica. | Citologia das lesões e, quando necessário, cultura bacteriana. |
Na dermatofilose, a umidade prolongada e o comprometimento da barreira cutânea favorecem a infecção. Entretanto, as lesões podem apresentar sobreposição de características. Por isso, essa comparação não substitui o diagnóstico veterinário.
Como confirmar o diagnóstico?
O histórico do lote e o exame da pele permitem estabelecer uma suspeita clínica. Para investigar a causa, o médico-veterinário pode coletar pelos e material cutâneo para microscopia e cultura fúngica.
A cultura permite confirmar a infecção por dermatófitos e identificar o agente envolvido. Entretanto, o resultado precisa ser interpretado junto com as lesões e a qualidade da amostra.
Além disso, a coleta deve priorizar material representativo das lesões ativas, conforme orientação do laboratório. Cornell inclui pelos e raspados cutâneos entre as amostras utilizadas na investigação de lesões superficiais em bovinos.
Como tratar a dermatofitose em bovinos?
A doença pode apresentar resolução espontânea. Entretanto, essa possibilidade não elimina a necessidade de avaliar os animais e controlar a transmissão.
Quando o tratamento é indicado, a abordagem costuma ser tópica, associada a ajustes de manejo. A escolha do produto e a duração devem ser definidas pelo médico-veterinário.
Como reduzir novos casos no lote?
O controle combina manejo dos animais infectados e redução da contaminação. Por isso, o plano deve incluir:
- Separar os animais infectados dos suscetíveis, conforme orientação veterinária.
- Reduzir a aglomeração e revisar as condições de alojamento.
- Evitar compartilhar escovas e utensílios contaminados entre animais.
- Remover pelos, escamas e outros resíduos antes da desinfecção.
- Além disso, limpar as superfícies laváveis e utilizar desinfetantes conforme orientação técnica.
A remoção física do material contaminado facilita a desinfecção. Entretanto, algumas instalações são difíceis de descontaminar completamente. Por isso, a limpeza precisa integrar um programa de controle, sem promessas de eliminação imediata do fungo.
A dermatofitose bovina pode passar para pessoas?
Sim. O contato com animais infectados e materiais contaminados pode transmitir a infecção. Por isso, quem maneja animais afetados deve utilizar luvas e roupas de proteção.
Além disso, é necessário lavar as mãos após o manejo, inclusive depois de retirar as luvas. Equipamentos e áreas contaminadas também precisam de limpeza adequada.
Pessoas imunocomprometidas devem evitar contato com animais sabidamente infectados. Se surgirem lesões suspeitas na pele, procure atendimento médico e informe o contato com bovinos.
Referências bibliográficas
MORIELLO, K. A. Dermatophytosis in Cattle. Merck Veterinary Manual. Atualizado em fevereiro de 2025. Disponível em: Merck Veterinary Manual — dermatofitose em bovinos.
MORIELLO, K. A. Dermatophilosis in Animals. Merck Veterinary Manual. Atualizado em fevereiro de 2026. Disponível em: Merck Veterinary Manual — dermatofilose.
CENTER FOR FOOD SECURITY AND PUBLIC HEALTH. Dermatophytosis. Iowa State University. Atualizado em março de 2013. Disponível em: Ficha técnica sobre dermatofitose.
CENTER FOR FOOD SECURITY AND PUBLIC HEALTH. Dermatophytosis: Ringworm — Fast Facts. Iowa State University, 2013. Disponível em: Orientações sobre transmissão e prevenção.
CORNELL UNIVERSITY COLLEGE OF VETERINARY MEDICINE. Bovine Diagnostic Plans and Panels. Animal Health Diagnostic Center. Seção: lesões cutâneas superficiais. Disponível em: Planos diagnósticos para bovinos.
Acesso às fontes: 16 out. 2026.
